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É possível conviver com a desordem?


Sabe aquele momento em que as coisas estão uma bagunça e chega a hora de arrumar, caso contrário você não consegue achá-las? Pois bem, essa “bagunça” é muito boa, acredite! Ela é resultado da interação, da criação e faz parte do processo de produzir algo ou, porque não dizer, do processo de viver. Passamos constantemente por ciclos e, de tempos em tempos, paramos pra repensar as coisas, organizá-las, etc. Enfim, o momento de fazer um balanço e “arrumar a casa” é mais que natural. Portanto, o ponto que procuro trazer aqui é o seguinte:

É preciso conviver com certa desordem e saber lidar com o descontrole em relação às coisas que nos cercam.

Como na natureza e na nossa própria relação social, este processo que antecede o surgimento de “coisas novas” não acontece por acaso. É resultado da intensa interação entre os participantes. Pense nas moléculas de água que estão em repouso e quando aquecidas começam a se movimentar freneticamente para atingir outro estado. O que dizer da movimentação que acontece em nossas células quando contraímos algum vírus e nosso sistema imunológico começa a se organizar para eliminá-lo? Imagine o processo de criação artística, como o do quadro de Jackson Pollock, ou também a composição de uma música.

Foto: Daniel Zandoná

O fato é que deve haver uma certa desordem no processo de criação e inovação. E isso precisa ser entendido e apreciado pelas nossas organizações e instituições. Não há como conter a criatividade e a capacidade de comunicação entre as pessoas pra se auto-organizarem em busca de um objetivo comum. Mas, ao contrário,  justamente o que encontramos com frequência nas empresas, não só no Brasil, mas no mundo todo são: rigidez, necessidade excessiva de controle e hierarquia que atrapalha.

É evidente que não é fácil conviver com esta falta de controle. O ambiente fica menos previsível e esta é a razão para que as empresas busquem tanto a especialização e controle ao invés de investirem na inteligência coletiva e na colaboração.

O problema é que ao fazerem isto acabam com o bem mais precioso que possuem hoje: a criatividade de seus colaboradores e das redes de parceiros.

Deixo então a reflexão para pensarmos como podemos aplicar estes conceitos no dia a dia e estimular a criatividade, colaboração e inovação em nossa sociedade, projetos pessoais e atividades empresariais. Um abç!

Daniel

 

Referências

Sobre Jackson Pollock

Filme sobre o pintor (trailer)

 

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