Hoje, vou escrever um pouco sobre a experiência de ser uma pessoa com um caminho interdisciplinar. Ou seja, que meu caminho parece mais um enorme zigue-zague, com diferentes interesses e curiosidades o atravessando. Em um contexto onde muitos sabem o valor de ser um especialista, paro para refletir com você sobre esse lado holístico.

Para deixar claro, não quero iniciar aqui um embate especialista x generalista, pois cada um tem sua contribuição na sociedade. O que venho tratar se refere à questão da sensação de “onde será que isso vai me levar?”, ao se escolher trajetórias pouco ortodoxas. Ser interdisciplinar pode nos levar a diversos questionamentos.

Um pouco de história

Voltando no tempo, me lembro que gostava de criar meus brinquedos, escrever cartas e imaginar histórias. Perto dos 12 anos, gostava de tentar entender a máquina fotográfica manual do meu pai e tirar fotos, principalmente, de passarinhos. Gostava também de tocar piano, aprender a ler partitura e desenhava sem muita pretensão.

Acabei fazendo Design Gráfico na Escola de Belas Artes e quando tudo parecia encaminhado para uma especialização maior na minha área, acabei optando pela pós em Engenharia de Produção. Foi uma grande mudança! Já no Doutorado, ainda na Engenharia, pesquisei e aprendi mais sobre favelas cariocas, indo estudar e trocar ideias com pesquisadores da área de História e Direito, e também com moradores empreendedores da Santa Marta. Terminando a fase acadêmica, voltei às Artes com força, e completei uma formação pedagógica (licenciatura) nessa disciplina, onde pude estagiar em duas escolas públicas, uma municipal e outra estadual.

Quando olho meu Currículo Lattes, vejo uma miscelânea de áreas. Acredito que é um percorrido que mostra bastante meu perfil, mas também que é capaz de assustar muito RH. Em geral, parece que soa mais como uma pessoa confusa do que alguém que possui interesses variados que têm intersecções.

Das partes difíceis

Muitos concursos e chamadas de emprego pedem profissionais que seguem uma trilha praticamente única. Quase uma estrada em linha reta, algo completamente diferente de quem sente um apelo por seguir em diversas frentes. 

Além disso, também acredito que ainda existem barreiras e preconceitos entre as diferentes disciplinas quando se deseja estudar, criar e publicar mesclando os conhecimentos. 

Das partes que valem a pena

Nesse grande itinerário, onde se passa por vales de dúvidas do “onde isso vai me levar?”, mas também “o que eu fiz com minha vida?”, posso dizer que existe um lugar muito interessante, onde tudo começa a fazer cada vez mais e mais sentido. Lá onde as Artes não brigam com a Engenharia e vice-versa, onde a História fomenta a crítica do meu projeto, onde os desenhos voltam com força como ferramenta para tudo isso. Quando comecei a vislumbrar que poderia unir as pontas das cordas em objetivos palpáveis sinto que a interdisciplinaridade fez e faz seu papel. Afinal, foi nela que encontrei uma solução para expressar a criatividade (a mistura de tantos caminhos percorridos) e o autoconhecimento. 

Mais alguma reflexões

Você também é interdisciplinar? Será que a grande maioria dos indivíduos não é assim? Posso imaginar quantas pessoas possuem diversas áreas de interesse, aparentemente sem ligação, mas que no final, fazem todo sentido para elas e para outras pessoas. Então, começo a perceber que para além de caminhos em linha reta ou em ziguezague, o que acredito que deveríamos procurar é sentido, em outras palavras, propósito. E a interdisciplinaridade pode ser um ótimo meio para isso.

Para simplificar essa questão, posso ver com mais clareza hoje que a “cola” do meu caminho é, especialmente, a Criatividade (e, com ela a criação, seja de textos, personagens, projetos). Logo, minha interdisciplinaridade é o resultado da busca pela criatividade. É ela que me traz muito do propósito que sigo na minha vida e que me dá respostas sobre onde isso irá me levar.

Então a pergunta final que deixo para você é: Qual é a “cola” que une as escolhas da sua vida? 

*Photo by Josh Klute from FreeImages

4 Replies to “Você é interdisciplinar?”
  1. Eu estava no grupo que pensa não ter dado certo ,em se tratando de carreira, porque me interesso por várias áreas do conhecimento.
    Agora é sair em busca da minha cola. Adorei a reflexão, muito pertinente para mim. Beijo

    • É isto mesmo Mônica. Cada um faz o seu caminho e vai colando na sua história!
      Beijos,
      Liane

    • Muito obrigada, Monica, por seu comentário! Acho que essa sensação de “não ter dado certo” é bastante comum… dá para refletir mais sobre porquê sentimos isso, quando, na verdade, queremos ser apenas nós mesmos e buscamos ser felizes. Dá para escrever outro post só sobre isso! =) Espero que encontre sua cola (vai ver já está aí)! Um beijo!

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